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terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Mais uma vez...Pinta aí vai!


Com tinta colorida...
Pinta as rachaduras,
Pinta de amores sua vida!
Pinta um eixo na sua estrutura.
Pinta as estrias do seu corpo...
A celulite da sua barriga.
Coloca cor nas diretrizes,
Pinta de abraço suas mãos estendidas,
Pinta de amor, o debruçar nas marquises.
Põe lilás na sua boca maldita!
Pinta flores no seu olhar tão triste,
Pinta alguém na sua solidão,
Pinta de alegria e não desista!
Joga aquarela na sua depressão.
Pinta de rosa a despedida,
Pinta um sorriso na saudade;
E as lágrimas... De chuva colorida!
Pinta asas douradas na Liberdade.
Pinta de cicatriz sua ferida.
Põe branco na sua verdade,
E preto na maldade escondida!

Elaine Barnes

Carta que escrevi pra mim no natal de 1998

Amada Elaine
Nesta data tão importante e significativa, desejo-lhe um banho de amor em sua alma.
Cumprimente o Cristo que habita dentro de você. Ele também precisa de carinho, do seu abraço tão rosa quanto seus beijos de parabéns.
Comemore o nascimento dele, pois é seu também!
Quando chora por alguém que não se importa com você, Ele também chora, porquê essa importância você deveria dar a si mesma.
Aceite o que houve em sua vida, acredite que "ela" quer e sabe que merece algo bem melhor do que uma vida medíocre, sem magia nem esperança.
Você pode criar uma realidade diferente e bem melhor; sabe que pode querida!
Eu te amo muito, me orgulho de você.
Foi preciso tanta crueldade, traições, desprezo, mentiras, falsidade, rejeição...Um "tapa" enorme em seu rosto, para que acordasse e parasse de acreditar que merecia tanta infelicidade.
Fiz de tudo para que não fosse necessário se machucar, mas, infelizmente seu sono era profundo demais. Não percebeu que o castelo era de areia.
Quero lhe dizer que sua dor não será eterna, basta abrir a porta de dentro, sei onde está a chave, tire o tampo da fechadura.
Queira sentir-me, é tão simples e não vê!
Poderei fazer dentro de ti o matrimônio, a sua total união comigo. Você sou eu e eu sou você. Ouça a alegria lá fora. Papai Noel chegou no vizinho. Hoje ele é Deus! Tem o poder de trazer a alegria. É tão simples arrancar sorrisos! Quero que saiba o quanto seu espírito é alegre, então, deixe seu olhar sorrir novamente.
Você é jovem ainda, respire o novo, o belo...Seu poder é grande: Reconstruiu, se adaptou, mudou...Confiou no universo e está indo em frente. Nunca desista de ser feliz
Parabéns! Sua coragem é digna de aplausos.
Pela primeira vez sozinha , porém, com Deus e bem acompanhada de você.
Feliz Natal!
Beijos
Elaine Barnes
24/12/1998

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Mel no Amor


Doce, doce mel.
Queria te dar o céu,
Mas, só posso oferecer amor:
Puro, intenso, sincero,
E o meu calor.

Doce, doce mel.
Quando pisares no mar,
Imagine, cada onda a tocar seus pés,
São beijos meus a te molhar.

Doce, doce mel.
Se achares pouco, eu grito!
O meu amor é grande demais
Imagine o infinito, ainda assim...
Te amo mais!
Elaine Barnes 1992

No Rastro Da Sua Sombra


Por buscar a felicidade em você,
De mim, esqueci,
Mas, não posso ser feliz em querer...
Sorrir, só quando você sorri.

Se cada um de nós é um ser,
E precisamos ser diferentes,
Então, por que esqueci de me querer?
E vivi por ti intensamente?

A tristeza se fez sombra companheira,
E não mais me abandonava,
E eu que a julguei passageira,
Foi meu ombro enquanto chorava.

Não posso mais viver sua história,
Fazer parte dela talvez...
Quero viver minha glória,
Sem magoar nem sofrer.

Preciso me amar cada vez mais,
Sem afundar num mar de lama,
Nadar nas ondas da paz;
E deixar viver quem me ama.


Elaine Barnes 1998

Desfile


Nasce quieta e serena,
Com ares de morena,
Deslizando num tapete bordado;
Num manto tímido e apertado.

Vai ganhando força no caminho;
Exuberante, cristalina,
A desenhar pedras...reluzindo,
Num espelho , seu destino.

Tão doce, revôlta e fria...
Abraça a margem com paixão,
Livre, solta e exibida...
Desce, escrevendo no chão.

A queda findando o desfile,
Coroa a senhora já grisalha,
Se desmancha em lágrimas no declive...
Explodindo em chuva de prata.

Elaine Barnes 1996



Medo Quebrado?



O que há atrás da cortina?
O que esconde o inconsciente?
A janela que descortina os mistérios da mente,
São estrelas longínquas, mas, reluzentes;
Um brilho que ofusca as profundezas do ser;
Iluminando as correntes que impedem de correr!
Passos lentos...O medo quebrado.
A descoberta, o elo, o tempo, a experiência...
O pouco é muito. O passo é curto.
É correr estando parado...
Dormir estando acordado. É vivência.
A cada véu que vai ao chão...
O que fazer com essa nudez?
Sem barreiras, os elos partindo?
Era uma vez...
Uma alma feliz e um espírito perdido.
O que fazer com a liberdade alcançada?
Bem...Sempre se tem a escolha.
Consciência de si, folha por folha.
Descobrir os próprios limites.
Aprender a dizer não.
Atrás da cortina, dos véus de Ísis...
Estou “Eu” então?

Elaine Barnes 1998

domingo, 28 de dezembro de 2008

Cueca de Vidro


Houve um dia uma mulher que despertou sua libido.
Muito inexperiente apesar de quarentão, nunca havia tido uma mulher de fato.
Por um instante onde o amor lhe escapou, entregou-se as suas delícias e permitiu-se ser aluno daquela bela professora. Amou e amou aquela tão simples e “apenas mulher”.
Dizem as pessoas, que ela era sua salvação; espontânea, além de sensual o ensinava coisas do coração.
Em pouco tempo ele desistiu, se recolheu e engoliu todo sentimento que havia despertado, como uma novidade assustadora em território desconhecido. Sentia e não estava acostumado. Fugia ao seu controle.
Tremendo de medo da sua própria libido, vestiu sua cueca de vidro e nunca mais a tocou.
Limitou-se a falar, explicar, justificar e a culpar quem o libertou a sentir prazer.
Fugiu pra dentro de si. Um universo pensante inerente ao sentimento. Precisou dar nota zero a professorinha pra sentir-se melhor. Disseram que uma outra mulher partiu a cueca de vidro em pedaços. Iludido; deixou-se usar um pouco, procurou o êxtase nas esquinas, motéis acompanhado dela, que lhe prometeu ternura e uma vida diferente.
Ela era de mentira! Fora agora enganado. Ela era incontrolável. O deixava confuso.
Quem conheceu a estória dele e o vê mergulhado nesse aquário imaginário como um Beta solitário; comenta com pesar que anda por aí vestido em cueca de vidro remendado; praguejando a cena que se repete dia a dia, mas, não consegue se libertar.
“Cristal quando quebra não remenda”. Libido aprisionada é poder desgovernado. Dizem que ele ainda vive protegido e defendido: Infeliz no amor, perseguido por ratos e louco gritando pela mãe. Pobre cego, vive ao lado dela e não a vê!

Acorda!


Mistérios, enígmas indecifráveis;
É a vida do país, das cidades.
Chão rico que ampara em valas,
A fome da grande senzala.
Escravidão que extravasa desgraça.
Desemprego deitado no borralho,
Ao lamento do favelado, do universitário.
"Brasil, deitado eternamente em berço explêndido"
És descriminado!
Teu povo clama por justiça,
Pelo mínimo necessário.
Ouve, gigante adormecido!
Acorda! És nosso abrigo!
Somos teus filhos, "mãe gentil"!
Dai-nos teu abraço amigo,
De esperança, de acolhida!
Olha para as nossas crianças!
Te entregamos nosso braço servil!
Morremos contigo,mas enquanto vivos...
Enche nosso bolso vazio!

Elaine barnes 1996

Beija-me!


Que seja de borboleta
Ou de esquimó;
De violeta,
Sem dó! Beija-me.

Que seja de amor ou
De cinema,
Violento ou suave
Feito pena, beija-me!

Quero tua boca na minha,
Me entregar ao desejo,
Deixar de ser menina,
E me perder no teu beijo.

Pode ser quente,
Macio e molhado.
Levemente sugado,
De olhos fechados...
Beija-me

Elaine Barnes 1997

sábado, 27 de dezembro de 2008

Chuva Esperança



Na quietude das árvores,
O vento adormeceu,
A noite se esqueceu da lua,
Quando a chuva apareceu.

O tempo parecia parado;
O silêncio tão esquisito!
Meu pensamento tão rápido...
E o coração tão aflito.

Toda mágoa chorei...
Joguei pela escada.
Do meu peito tirei você...
Expulsei-te da minha estrada
.
Nenhuma brisa em meu rosto,
Nenhuma folha balança,
Mas a paz desfez o pranto,
Do meu choro de criança.

Não há mais nada a falar.
Nenhuma parábola, apenas
Chuva de esperança no ar;
De mudar, mudar e...Mudar!

Elaine Barnes1997

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

O Sorriso do Mar



Por mais que eu me sinta injustiçada e agredida.
Por mais que eu tenha que me desgastar...
Por mais que eu tenha que matar um leão por dia...
Todo esse endurecimento desaparece no sorriso do mar.

Tem nele a paz que se encontra com a minha.
Tem ele a grandeza de minh`alma.
Tem a vida guardada nas profundezas,
No silêncio profundo da calma.

Essa imensidão de beleza,
Pra quem conto meus segredos...
Leva pra sua natureza,
Meus anseios e medos.

Seu sorriso vem nas ondas,
Na espuma sobre meus pés...
Conforta minhas dores,
Que se vão com as marés.

Sorriso de sal,
Que me faz tão bem;
Nas noites de lual...
Não abandona ninguém.
Elaine Barnes





quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

A Última Lágrima " Um Maravilhoso Ano Novo !"


Primeiro junte os cacos,
Veja o que sobrou.
Pegue tudo e acrescente vontade de vencer,
Foi por isso que lutou. Junte perseverança,
Uma pitada de ternura e um copo cheio de amor.
Vá mexendo devagar, mas, com determinação.
A parte coloque: os amigos, parentes e o seu coração.
Vá peneirando e veja o que ficou,
Falsidade, torcida pra que nada de certo?
Jogue fora, não faz mal,
Com certeza esses ingredientes estragariam sua vida.
Que bom! Seu coração se salvou!
Junte todos que passaram pela peneira,
Coloque na mistura e vá mexendo.
Unte uma forma com as últimas lágrimas
De decepção que restaram.
Não se preocupe. Secarão no forno.
Despeje a mistura e acredite que tudo dará certo.
Os ingredientes são ótimos!
Vá em frente! Vida nova!
Não tenha medo,
Se conseguiu preparar essa receita com coragem...
É porque também está preparada pra ser feliz!
Secou a última lágrima e passou no teste de sobrevivência.
O resto é lucro. Então viva agora e bom apetite!

domingo, 21 de dezembro de 2008

Minha cozinha




É vermelho de caquinho antigo,
O piso da minha cozinha.
Vez enquando ganha uma cerinha!
E nele só pisa quem eu convido a entrar.
Minha mesa tem tampo de vidro,
Cadeiras brancas e gente boa pra sentar.
Ali acontece prosa e sorriso,
Muito choro emotivo, lágrimas no olhar!
No fogão fumegante, boa comida!
Na geladeira muita bebida,
Pra quem mais chegar!
As cortinas são em xadrez laranja,
A mesma cor dos enfeites ,
E dos utensílios pra combinar,
Tudo muito simples!
Mas, é na minha cozinha que tudo acontece.
É um cenário feito pra alimentar: o espírito e a barriga.
A amizade reunida é a sobremesa da nossa vida!
Tem calor humano, bom humor que não se esquece.
Um doce gostoso e muita alegria no ar.
Mais amigas vão chegando e tudo recomeça!
O forno é aceso e tudo se aquece de novo.
O cheirinho bom é um convite de festa;
Muita conversa, muita troca...
Os desabafos vêm carregados de emoção ...
Todo mundo chora no calor dessa recepção!
A louça vai juntando na velha pia
A molecada se chega e expia...
Ouvem quietinhas as estórias do coração.
Amigas maravilhosas que não julgam,
Minha cozinha tem liberdade, se fala de tudo!
As gargalhadas ecoam até a rua, mas,
A alegria fica registrada nas paredes,
Brancas e amarelas nuas de azulejo, sem luxo. Nem precisa;
Ela é imortal! O luxo vem de dentro de cada amiga;
No calor humano, no aconchego que aquece minha cozinha,
E ela tem o privilégio de alimentar o maior valor: Brindar
A amizade que atravessa décadas de verdadeiro e fraterno amor!

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Minha Rival




Eu só queria ter um pouco de atenção e de carinho...O mesmo que você dá a ela, minha rival!
Como é difícil tê-la em meu caminho a te roubar de mim aos pouquinhos, todas as noites quando o luar invade nosso quintal!
Durante o dia nem te vejo e a noite quando chego, já está distante de mim e ela tão presente em seu olhar!
Eu queria ter assuntos mais interessantes e mais importantes; ser tão sedutora quanto ela e nos teus braços ficar.
Chega a ser cruel o mel que ela tem! É dona do tempo e da madrugada.
Senhora do teu pensamento, da tua atenção.
Já me arrumei, desfilei, mudei o cabelo e me perfumei com nova essência;
Nada. Não me sente! Despreza meu sentimento e minha solidão.
Cansei de te avisar que isso ia dar em separação!
Perdi a paciência e a culpa é todinha da minha rival: A televisão!
Elaine Barnes 25/02/1993

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

O Mendigo Eremita



Lá vai ele vestido em seu manto maltrapilho, usado em dias assim de céu cinzento.
Tem um guarda-roupa particular:
Nos dias ensolarados, bermuda, peito desnudo e no ombro sua vida de contornos indecifráveis. Ao vir à chuva, um capuz sobre a cabeça completa sua vestimenta escura e sombria.

Perambula por todas as estações do ano com seu cajado e um cobertor enrolado, pendurado em seu ombro feito um alforje. Inseparáveis!
Ele e seus pertences são um só, a caminhar a ermo na avenida Luis Dumont Villares.
Com pés descalços volteia as estações do metrô carregando o silêncio de um eremita.
Evita as pessoas, não fala com ninguém, mas sua voz ecoa através das janelas dos escritórios.
Um grito de solidão!
Quando o sol escalda o asfalto, o canteiro gramado lhe oferece um sofá de pedra sem a sombra das árvores.
Ali ele senta-se como um rei, coloca seu tesouro ao lado e medita;
sua pele reluz ungida em suor, horas a fio; como se não sentisse o calor.
Recusa a sombra da árvore; talvez a visse como intrusa no seu deserto, que pudesse roubar seu coração. Talvez já a conheça tão bem e já viva em sua própria sombra de ilusão.
Parece alimentar-se de pensamentos; enquanto alguns curiosos alimentam-se de julgamentos, mas no fundo invejam aquele poder de concentração.
Quando o sol se põe e o céu se fecha, ele se ergue como das profundezas da sua alma vitorioso e cheio de si. Não transparece nenhuma dor.
Ninguém sabe o que o leva a seguir pela chuva que cai, sempre na mesma ação.
Alguns já disseram que na calada na noite, às vezes fica nu, e pragueja quem se aproxima dele.
O chamam de louco e atormentados por sua nudez ébria; seu sexo exposto; livre pela avenida...Chamam à autoridade , cuja sirene reconhece como barulho de algemas.
Reage com soberba de um rei; arrogância sem ganância e prepotência de quem não precisa de ninguém.
Acredita-se que lhe dão um banho, tosam seu cabelo, alimentam sua barriga magra e o devolvem à avenida. A quem diga que apanha também.
O dia amanhece e lá está ele novamente vestido do seu tesouro; caminhando a ermo por sua imensa casa, como a medir sua extensão pra saber se tudo continua estático. E ele como único ser, se movimenta.
A chuva molha as vidraças e o mendigo eremita. Ninguém se importa. Ninguém lamenta.
Nem ele.
Talvez o mundo o tenha abandonado e talvez ele tenha abandonado o mundo.
Quem sabe se a avenida é a única amiga que escolheu?
Só ela conhece seu nome,seu pisar, seus segrêdos e sua voz.
Só ela entende seus nós em seu olhar perdido, misterioso, mas... Profundo.
Elaine Barnes

domingo, 14 de dezembro de 2008

É preciso mais que cinco sentidos


O tempo vai passando,
os dias ficam mais límpidos e a mente mais clara.
No meu silêncio ouço seus passos dentro de mim.
Posso senti-los preocupados, porém, distantes;
Como se estivessem afastando-se do meu coração.
Meu olhar flutuando nos teus espelhos d´agua,
Se perdem em mistérios que são só teus.

Minha boca se cala, com lábios fechados,
Em beijos que não se tocam mais.

Sinto o aroma doce do passado, onde o sabor sentido,
era como se a importância pudesse cheirar no ar.
Todos os sentidos vibravam como uma sinfonia.
Os instrumentos se encaixavam em acordes suaves a tocar...Tocar...
Tocar de almas numa explosão de desejos a transcender o corpo.
Como se fosse uma canção ainda a ser escrita, mas...
A melodia pronta se ouvia dentro;
como seus passos a caminhar
na estrada ainda não desbravada do meu interior.

Quem dera agora deixá-lo livre pra me amar!
Mas não posso libertá-lo do que fechou em ti.
Você é o dono da chave. É seu próprio guardião.

Os cinco sentidos não são suficientes para me entregar;
Preciso de algo muito maior como outrora;
Quando não sabia distinguir seus passos;
Quando não sabia que caminhavas por um solo novo
que não podia ouvir, nem ver; só sentir.

Descobrir que alguém podia me amar
viajando dentro de mim, colhendo meu melhor.
Depois... Ah! Há sempre o depois...
A exigência de mais descobertas tomou o tempo da minha entrega
e a porta foi se fechando em angústia,
como se nada mais houvesse atrás dela e fechou.

Os espelhos dágua não me eram mais seguros para neles flutuar.
As águas turvas agora, revoltas a me procurar...
Nenhum encontro. Tudo saiu do lugar!
Guardei os desejos em noites brandas de luar;
hora na chuva, nas trovoadas;
hora ao vento com seus sons distantes num eco a dizer: Amor!

E o amor por mim foi o melhor caminho que trilhei,
foi o único que despertou uma nova mulher;
outras deusas que estavam adormecidas.
De mãos dadas a elas vivi, cresci e morri.

As quero de volta! Todas elas com seus aromas de fêmea.
Passos cheios de si.
Vê-las transbordar de alegria na taça nobre do amor.
Quero na boca o sabor de mil beijos,
sentir a alma transcender numa entrega.
Como porta sem sentinela; aberta,
para receber o milagre puro e divino de viver!

Quero o amanhã de outrora,
novo como foi e livre como hoje,
quando os cinco sentidos, já não tocam mais a sinfonia,
mas... Meu ser vibra uma melodia que ninguém pode ouvir!


Elaine Barnes

4/11/2002

Dança da Lua


Como fosse bailarina,
Dançando entre amores,
Brilhava em purpurina,
Enfeitiçando as noites.

Não estava sozinha,
Enfeitada de confetes e serpentina.
Reinando absoluta...
Como fosse bailarina.

Chega nas noites em silêncio,
Sempre jovem e admirada,
Como fosse dona do tempo...
A Bailarina moça, calada.

Dança com pés de vento,
Mas parece tão parada!
Somente o poeta a vê...
Nas noites que não dizem nada.
Buscando nela um bem querer,
Ao vê-la tão imaginária,
Declarando-se sem perceber... A bailarina,
Como fosse a mulher amada.

Elaine Barnes junho de 1997


sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Carne (Homenagem a Augusto dos Anjos)


Nas entranhas da terra mórbida.
Entre vermes miseráveis...
Descansarei meus sonhos fraudulentos,
A sete palmos indecifráveis.

Dentre feridas purulentas,
Minha alma em calafrios...
Sou a onda que me arrebenta...
Nos mares de lutos sombrios.

As ilusões tão mortas no jazigo,
Enterrando minha aurora adormecida...
Hão de chorar o tempo perdido;
Em odores da terra desfalecida.

Minha carne entregue a bárbaros,
Como banquete aos famulentos;
Os inimigos de outrora, lábaros...
Arrebatarão meus exércitos...tal côrvos do silêncio.

Elaine Barnes 1994

Amigo de Pinga




Nessa estrada de amizade tenho encontrado lamentos de pessoas, sobre as decepções vividas com seus amigos. Nesses relatos um copo de mágoa diluidos em dez, vinte ou trinta anos confiáveis de amizade.
Relataram que viveram tantas alegrias nos bares, tantas lágrimas de estórias lembradas; a companhia de volta pra casa, após uma noite dançada no suor da diversão.
Hoje ou há algum tempo, perceberam, depois de um momento difícil que a franqueza exigiu; terem sido abandonados ou não amparados por seus amigos.
Sairam de sintonia.
Não perceberam que eram "amigos de pinga". Ou eles eram também? Notório então, que um fazia as regalias . Pagava a conta por que tinha mais dinheiro, possuia carro e o outro não... Generosidade ou pagava por companhia? Não deixava de ser uma troca, relatavam numa angústia sofrida ,mas, sentiam-se palhaços!
A vida os havia separado por mágoa. Uma sensação de terem sido enganados com falsidade, traidos. Uma frustração de terem acreditado que eram amigos de verdade, mas eram "amigos de pinga". Assim disseram.

Deixo aqui esse espaço aberto para relatarem alguma decepção com amigos, uma situação mal resolvida. Sinta-se livre no comentário, alguma estória que o incomodou e não pode falar com ninguém. Colocarei o seu desabafo respeitando a sua identidade:

"Pois é,quem não teve um amigo de pinga?Achei que tinha uma amiga (12 anos de amizade),porém veio a decepção,eu era sua amiga,mas ela não a minha,me considerava apenas amiga de baladas,sofri,porém cheguei a conclusão que não devemos exigir do outro aquilo que não tem para nos ofertar."
Edilis
15 de Dezembro de 2008 06:36

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Fruta Bicada



Ah! Fala sério!
Vai me dizer que não viu?
Olha pra mim!
Tira da boca esse assoviu;
Baixa esse olhar de noite enluarada.

Fala sério!
Sai desse umbigo!
Nem percebeu o incesto da minha lingua,
beijando-me o céu da boca sem castigo?

Fala sério, insensível!
Estou sofrendo como fruta bicada.
Vc é um pássaro muito terrível...
Então, voa com a asa quebrada!
Fala sério!

Elaine Barnes

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Sentei nas Palavras


Ah hoje estou assim...assim...
De meia lua. Minguada !
Meu corpo treme e sinto que é raiva.
Ah! Enfim desocupou um banco!

Queria tirar o tamanco...
Deixar as pernas jogadas!
Ai, preciso tanto de mim!
E tem tanta gente aqui...
Eu estou tão irritada!
Tem um cara dormindo ao meu lado,
O corpo todo relaxado...
E o meu todo travado...
Sentado nas palavras!
Que dia viu! Estou sem paciência!
Esse barulho tampando o túnel do meu ouvido,
lá dentro desesperado sacodindo meu grito...
No labirinto da inconsciência.
Duvido!
Nem sei se estou cheia ou vazia!
Acho que hoje estou andando no vácuo da fé.
Com raiva também desse esmalte velho no pé!
Engoli os "s"mesmo e daí? Eu tô uma azia!
Ah, enfim meu apito!
Quero sair desse ébano,
Esse metrô é um bandido;
Então....Abre-te Sézamo !
Elaine Barnes (chutando as letras)

O Trem do Tempo


Lá vai o trem do tempo,
A me levar num vagão.
Triste no descampado, o vento...
Sopra suave sem razão.

A paisagem zomba correndo...
Marejando meus olhos vazios.
As linhas a desenhá-los, morrendo....
Nos trilhos dos caminhos sombrios.

O som do apito é um aviso,
Que o trem não tem parada;
E os meus olhos tão sofridos...
Seguem perdidos na estrada.

Outras linhas vão cruzando;
Marcando-me a face cansada;
Seu destino vai traçando...
Deixando minha alma calada.

Lá vai o trem do tempo...
Trilhando um rumo ao nascer,
Vai levando muito lento...
Quem zombou dele, a sofrer.

Seguindo o longo caminho,
Carregado dos ares da sorte;
Me parece estar sorrindo....
Ao levar a própria morte.

Elaine Barnes 1994

Os Dementes.



Loucos do abismo, almas feridas.
Perdidos na inconsciência, sem aplausos da vida.
Vaias da carência, abandono da lucidez,
Ora sapiência, ora insensatez.
Quem poderá julgá-los, se todos nós somos um pouco?
E ao ignorá-los? Não seremos mais loucos?
Nos dementes disfarçados aplaudimos a sabedoria;
nos curvamos enganados no que acreditamos um dia.
Serão eles; sementes plantadas na amargura... ou
árvores com frutas ausentes perdidos na estrutura?
Talvez pedras brutas, atacando pra defender seu mundo imaginário,
fechando em paredes a vida, escondidos atrás do muro .
Mergulhados em pânico profundo, alguém emergiu do lago.
Uma imagem refletiu-se no espelho. Olhou sem reconhecer o companheiro.
Cospiu palavras num monólogo solitário, no eco da solidez.
" Quem dera ser louco senhor!
Não sou nem um pouco, só estou num beco sem saída.
Bebi muito depressa a vida, que me causou essa embriaguêz!
Minh´alma está bêbada amigo! Só isso."
Elaine Barnes

Redação que fiz em 1994

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Num certo frasco de vidro vermelho




Nascido de seios estilhaçados cujo leite compartilhado,
Era sugado e dividido...
Puxava com ira na percepção sentida ,
O que deveria ser somente seu.
Despedia-se sem porta de saída, com aceno de faca escondida...
Do ancião que escolheu.
Pela garganta deslizavam mimos falsificados,
Cobrindo de doces as feridas que a barriga comeu.

Embalado nos valores dos seus brinquedos...
Navegou no mar escuro do medo...Onde um espelho nasceu.
Com linha tênue esticada, dividiu na mão espalmada...
O gênio louco e o reflexo de Deus.

Em seu rosto, um anjo de trigo mostrava um abrigo,
Onde o amor se deitou e o sentimento adormeceu.
Na caverna dos olhos guardava o príncipe e o mendigo...
Tímidos, se espreguiçavam nos braços de Morfeu.

Prendeu o gênio num frasco de vidro vermelho;
Encontrado no fundo do mar sombrio;
Pediu sua cabeça prostrado em joelhos...
O Alimentou de segrêdos...digeridos de um seio vazio.

De boca aberta comeu livros que o gênio vomitava...
Deu a Ele então, sua espada varonil,
E com bolor no sorriso, esperava...
A resposta abençoada acesa em um pavio.

Tampou o vidro vermelho, cor de sexo viril ...
Aprisionando o instinto, mendigo, cortado na espada,
Acusando o umbigo que do ego nasceu.

Vestiu de Deus o que não viveu... Convenceu, fingiu...
Não sentiu o amor, mas leu...
Nos lábios vermelhos de uma boca tampada.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Demônios


Deixem-me cá com meus demônios!
A combatê-los um a um;
A derrubá-los de seus pedestais...
A querer todos e nenhum.

Deixe-me cá no caminho,
a saber que não vou sozinho...
Nas sombras dos meus "ais",
Moram demônios, nada mais.

Em punho espada iminente,
Seguindo as vozes da mente...
Duelo num combate mudo,
A vencer invasores do meu mundo!

Nuvem de vagalumes, a acender e apagar!
Feito lamparinas de luar na madrugada nua...
Deixando aqui e acolá...
Um demônio esquecido na rua.

Deixe-me! Tal qual botão escondido...
Na roseira da madrugada;
A espera do alvorecer...
Para ofertar a flor solitária.

Sigo os vagalumes, a iluminar meu caminho.
Não há mais sombras, apenas o despertar na aurora fria.
Não sigo mais sozinho...
Vou de braços com a vida!
Elaine Barnes 30/08/1995



Meu "EU" Infantil


Nunca fui dada a poesia,
Tão pouco li alguma obra.
Sem intimidade com a rima...
Comecei meus versos na escola.

Rimei crua com lua,
Iracema com Helena,
Nasceu o primeiro poema,
Da pobre menina de rua.

Fui gostando de escrever,
Embora sem muita temática,
Porque o complexo português,
Me confundia a gramática.

Sem muito gôsto pra ler,
Entre namoro e amargura,
Rimei viver com sofrer...
Cresceu a menina de rua.

Do meu ventre, berço explêndido,
Madura a fruta nasceu.
Busquei nas rimas sentimento...
Encontrei a obra de Deus!

Finalizando esse poema ou diário,
O deixo porém incompleto.
Uma obra é algo mágico, mas,
O português é correto.

Elaine Barnes 24/08/1995




Boca D`agua


Mostrava seu sobretudo verde com ares hortelã ,
Cobria então a blusinha branca quase virginal.
A face salpicada de sardas tom de avelã ...
Erguia um sorriso sensual.

Limpo seu rosto corado,
com textura de maçã .
E nas mãos vc é meu barco...
No orvalho fresco da manhã.

Te solto do cais e desliza,
Na boca d`agua nua de paixão.
Num rio vermelho tão doce baliza ...
Você desfila, deixando o sobretudo no chão.

domingo, 7 de dezembro de 2008

Olha, é só um toque...


Não sou um reboque,
Não posso te carregar
Vc se faz de estoque
Se acomoda,se deita
se deleita na mira do meu olhar!
É só um toque
É melhor acordar,levantar...
Não sou seu reboque
e vc finge não enxergar.
Te dei um toque rosa choque.
é melhor não provocar!
Vc perdeu o enfoque,é um pesado pacote...
Não ouse me usar! Se toque,queira a luz que se faz...
Olha, não sou um reboque!
Tão pouco tua face meu toque terá mais!

sábado, 6 de dezembro de 2008

Calcinha de Vidro


Ela era uma na multidão feminina.
Há quem diga que a multidão era ela.
Conheci esta mulher perdida, vagando pelos trilhos...
Perdeu o trem, não viu a paisagem.
Na estação sem primavera... nenhuma flor, nenhuma passagem.
Observei aquela mulher de estranha beleza,
Vi no seu rosto uma sutileza,porém o olhar era escuro, sem luz ;a boca entre aberta em lábios carmim e ancas volumosas; tão mortas!
Seu caminhar era pesado como se arrastasse o mundo.
Estendi-lhe a mão e pude sentir a frieza sem sangue.
Disse-me em tom baixo e casto,que fora vítima de engôdo.
Sonhara em amar, desejar, se entregar ao prazer...Proibido.
Castrada no seu viver, queria ser uma pedra preciosa, transparente...
Tornou-se uma luz guardada, como fosse a gema do ôvo.
Num tom muito baixo, tanto quanto seu olhar, em transe, buscava um sentido.
Um apito ao longe gritava seu sofrer e lhe oferecia um vagão. Um abrigo.
Afastou-se de mim arrastando sua multidão infeliz e doente. Rogava uma chance.
Eu soube que naquela estação ela vagava há anos vestida em "calcinha de vidro".
Só queria pegar o trem e seguir sua própria viagem, um mito!
A multidão de mulheres a perseguia e os homens fugiam.
Confusa perdia o trem da liberdade e encontrava só num trilho.
Seguia preciosa e transparente vestida de vidro embaçado de falsa castidade.

Navegando em Sonhos




Sou livre no meu pensamento
Navegando em sonhos e devaneios...
Viajo onde quiser. Adicionar imagem
Posso alcançar uma estrela no firmamento,
Viajar por todo planeta, segurar o rabo de um cometa...
Ir à qualquer lugar.
Posso ser engolida pelo universo,
Contar tudo em prosa e verso...
A Liberdade de voar.

Elaine Barnes
1994

Um Certo Homem Virtual


Havia em seu rosto então, um tímido sorriso.
Qse que chegava a esboçar uma alegria que ficara distante, lá atrás, num lugar perdido no tempo que não volta mais. A alegria vive ainda, porém mais reservada, contida.
Seu olhar revela a inquietude dos homens perdidos, mas, que busca ainda a cor da vida.
Sua alma é reveladora, se esconde atrás do personagem que fica, qdo o pé direito está de saída.
Metade de si deseja um abraço tão simples, envolvente, mas, seu olhar busca um beijo de partida. Um toque de liberdade nos lábios molhados de mulher, mesmo que seja mentira.
A outra metade, impotente diante da realidade quase incolor... Num tabuleiro preto e branco; ele joga com a razão com o sentimento adversário do amor.
Move as peças a tanto tempo que nem sabe mais se quer ganhar ou perder. Em qual lado estará? Onde ficou o homem e surgiu o pai? Não pode beijar a filha, onde estará então aquela mulher?
Com alegria contida; asas cortadas, ele se refugia nos braços da mãe, hoje simbolizada por uma telinha. Envolvido em seu abraço, seus dedos a tocam sentindo prazer.
Havia em seu rosto então, um grande sorriso radiante permitido; lá atrás, num lugar protegido, no assento seguro da paz.
Elaine B.B
3/12/08

Moleza Branca


Deixa estar então...
Uma borboleta linda vem de uma lagarta estranha.
Deixa estar, à folha que a abriga é a estrada pra ela rastejar,
Com toda sua moleza branca .
Se as lagartas nascem, existe a certeza de se transformar!
Deixa estar então...
Se vai doer ou não, ela irá crescer
Secará as asas no ar
Sua pele estará no chão e nem irá olhar
Apenas se preparando para o que tem que ser
Deixa estar então...
A folha tb secará e deitará
Nunca mais será a mesma...
E a borboleta de asas lilás
Da lagarta nem se lembra
Deixa estar então...
Que as flores a recebam
E a deixem ir pousar aonde quiser
Sensível levando mensagens
Com beleza de mulher
Deixa estar então...

Elaine Barnes
4/12/08

Pinta Vai!!


Pinta com tinta, mistura a cor.
Pintura de aquarela, de parede ou de chão.
Pintura de rosto, de olhos e lábios de amor.
Pintura de pele, cabelo e borrão.
Pinta com tinta, mistura a dor.
Pinta de rosa choque, chiclete paixão!
Pinta no rosto uma pequena flor.
Pinta no beijo um coração!
Ponha cor no seu chão
Pinte amor no borrão
Pinte a dor, de paixão...
Prometa uma flor ao seu coração!

Elaine Barnes
5/12/08

Júpiter e Vênus , 52 anos em nós



Como é forte a presença no céu!
Encontro doce de homem e mulher.
Não podem se tocar, tímidos com a mãe a observá-los.
Há um brilho no olhar e uma vontade louca de se tocarem.
Paralisados de amor fazem promessas de entrega,
Há silêncio no céu. Todos querem ver e ouvir o que dizem.
O tempo passa, o brilho fica e só o que importa é simples:
A presença de sentir.
Elaine Barnes 1/12/08

O tilintar das chaves


Nada mais tenho a escrever, a relatar caminhando em uma folha.
É como se vasculhasse nos meus baús e não encontrasse mais nada além de velhas estórias.
Todas sem graça. É certo que alguns baús ainda estão fechados. Quem sabe se eu experimentar todas as chaves do molho que trago nas mãos?
Não é possível que eu não tenha mais nenhuma notícia de mim!
Vasculhei nos meus baús abertos, remexi, li, escrevi... Achei sorrisos, amor, infância, pureza... Rodei na ciranda e abri a mulher
Fiz crianças e brinquei de novo, felicidade verdadeira!
Relatei tantas estórias, vivi tantas memórias, das naves no espaço até o bem me quer!
Fechei vazios esses vasculhados baús então, que usei, vesti e adormeci.
A criança cresceu, a mulher se perdeu e o sonho morreu.
Agora só encontro mais chaves. Nada mais. Nenhuma notícia!
Nada a declarar a não ser que tenho chaves nas mãos.
Experimentar nos lugares certos.
Arrumei as gavetas, modifiquei a saleta, limpei cada canto.
Comprei enfeites e iluminei a árvore de Natal
Juntei as canetas, arrumei os papéis engoli meu pranto;
Pintei o quintal; cortei a grama e lavei as pedras com sal.
Esvaziei o porão...Silenciei. Ouvi minha alma. Apenas o tilintar das chaves.
ELAINE B.B
5/12/08

Conversando com a dor




Dor. Quero dizer-lhe que não sei de onde vens; só sei que te carrego comigo na inconsciência da tua origem há séculos.
Você dói em meu peito e minha alma e fico procurando os porquês nas situações que crio para te sentir. Um masoquismo estranho, sem sentido.
Agora sei que és velha demais. Creio que precisamos descansar. Você pela idade e eu porque preciso desse espaço para o novo.
Mas, me diga o que eu faço para que me libertes?
Não sei de onde tira forças para se apossares de mim!
Choro. E é por ti. Prendes-me à garganta um velho grito que não sai. Um grito que aprisionas nas profundezas do meu ser.
Às vezes consigo conviver contigo e é quando me enganas e se esconde. Quando a vida me presenteia de sorrisos, sonhos e realidade. Quando me liberto e sinto prazer.
Parece durar pouco, aparece das sombras. Vigias cada conquista, cada passo meu em busca da liberdade. Não me deixas em paz.
Dói enquanto cresço, dói enquanto ganho consciência, dói e aperta meu peito me impondo a morte e ainda assim te encontro na encruzilhada e nas trevas.
Peço-te que saias do meu caminho. Não te quero mais. Nem sei se um dia quis! Vá e descanse imploro-te ! Não preciso de ti. Aprenda a morrer também!
Quem te disse que és mais do que eu? Se te dei este poder também devo saber retirar.
Utiliza-se de subterfúgios externos sem coração para usares o meu. Assim te reconheço na insensibilidade e na falta de respeito e você dói até a indignação.
Eu te reconheço sim. Moras no apego. Mas para onde vou não posso mais te carregar. Pesas demais. Te liberto e me liberto,pois, pertenço a mim e não a ti. Pertenço ao amor e não a dor.
Descanse em paz. E na hora da nossa morte AMÉM! Elaine B.B. 15/04/2003

Individuação


Eu sou amor e consciência de que sou:
Homem e mulher.
Coragem e fé,
Luz e escuridão,
Submissão e poder.
Sou raiva e calma,
Incompreensão e compreensão,
Corpo e alma,
Mente e coração.
Sinto e não sinto,
Sou culpa e inocência,
Sou estrada e labirinto,
Sou astuta e ingênua.
Sou rejeição e aceitação,
Sou a dor e a cura,
Sou a escada e o corrimão.
Sou infantil e madura,
A doença e a salvação,
Sou sofrimento e brandura,
Sou a individuação.

Sou a palavra e sou muda,
Vejo o tudo e o nada.
Ouço e sou surda,
Sou o caminho e a encruzilhada.
Sou menina e mulher,
O conflito e a solução,
O bem e o mal me quer,
O gelo e o vulcão.
Sou o bem e o mau.
O cair e o levantar.
O diferente e o igual,
Sou o grito e o calar.

Sou morte. Sou vida.
Sou a espada e a proteção.
Sou a preguiça e a lida,
Sou o ouro e o latão.
Sou sozinha e companheira,
A entrega e a disposição.
Sou a mentira mais verdadeira,
dúvida e certeza,
Desespero e discernimento.
Sou a feiúra e a beleza.
Sou eterna e um momento.
Sou anjo e demônio,
Sou lama e pureza.
Sou tudo e só um canto,
Sou a água e a poeira.
Sou rasa e profunda,
A porta que sai e se entra,
Sou a terra que afunda,
Sou a fonte que alimenta.
Sou inflação e humilhação,


Sou o caos e a organização.
Sou o Todo num só,
E um só no Todo.
Sou quem cria e quem destrói,
O chão firme e o lodo.
Sou quem derruba e quem constrói,
Sou o estático e a transformação.
Sou o mito e o herói,
A liberdade e a prisão.
Sou o fracasso e a conquista.
A morte e a transição.
Sou a dívida e o pagamento,
A ignorância e a sabedoria,
A fumaça no firmamento,
O lamento e a alegria.
Sou os dois lados da moeda,
A luz e a sombra em mim.
A altura e a queda,
O começo e o fim.

ElaineB.B 25/01/2003




O Inconsciente

O barco deixa que eu levo, mas as imagens.. descreva para mim?
Marcia Gonçalves