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sábado, 6 de dezembro de 2008

O tilintar das chaves


Nada mais tenho a escrever, a relatar caminhando em uma folha.
É como se vasculhasse nos meus baús e não encontrasse mais nada além de velhas estórias.
Todas sem graça. É certo que alguns baús ainda estão fechados. Quem sabe se eu experimentar todas as chaves do molho que trago nas mãos?
Não é possível que eu não tenha mais nenhuma notícia de mim!
Vasculhei nos meus baús abertos, remexi, li, escrevi... Achei sorrisos, amor, infância, pureza... Rodei na ciranda e abri a mulher
Fiz crianças e brinquei de novo, felicidade verdadeira!
Relatei tantas estórias, vivi tantas memórias, das naves no espaço até o bem me quer!
Fechei vazios esses vasculhados baús então, que usei, vesti e adormeci.
A criança cresceu, a mulher se perdeu e o sonho morreu.
Agora só encontro mais chaves. Nada mais. Nenhuma notícia!
Nada a declarar a não ser que tenho chaves nas mãos.
Experimentar nos lugares certos.
Arrumei as gavetas, modifiquei a saleta, limpei cada canto.
Comprei enfeites e iluminei a árvore de Natal
Juntei as canetas, arrumei os papéis engoli meu pranto;
Pintei o quintal; cortei a grama e lavei as pedras com sal.
Esvaziei o porão...Silenciei. Ouvi minha alma. Apenas o tilintar das chaves.
ELAINE B.B
5/12/08

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