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quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Plinio Marcos- Arte de chinelos. Duro na queda.


Acabei de ler o livro do Plínio Marcos
“Figurinha Difícil-Pornografando e Subvertendo”

Confesso que me prendi a leitura e devorei a história.
A contribuição cultural que me deu foi de uma riqueza que jamais esperei.
Um livro curto recheado de histórias hilárias e deliciosas retiradas do sofrimento sobre o nosso teatro, prato predileto da ditadura. Autores, atores, escritores em tempos tão sofridos onde até a esperança tinha dono. Não vivi essa época. Vivenciei através do livro. Plinio tinha o coração mole!
Não sabia quase nada dele a não ser que era autor. Um dia o vi num teatro(nem lembro a peça que fui assistir) de chinelos vendendo livrinhos. Alguém me disse:- Nossa, que fim levou o Plínio Marcos, coitado!
Eu imaginei que era um fracassado. Um ator ou escritor em decadência. Grande engano.
Hoje, conhecendo o blog do Léo Lama; lendo as maravilhas dos textos tão bem escritos por ele, fiquei sabendo que era filho do Plínio Marcos.
Por uma amiga, o livro do Plínio chegou às minhas mãos e fiquei apaixonada com a maneira que escrevia e descrevia cada cena que viveu. Seu sentimento, preocupação e indignação com cada dia maldito que o censurava. Cada amigo que lhe estendia as mãos. Amigos de várias classes sociais, para ele, todos iguais. Trabalhadores simplesmente!
Um homem simples que conseguia transformar sua dor em recomeço. Seu sofrimento em graça, nas páginas do livro, nas páginas da vida.

Entendi que o DNA é um texto escrito dentro da gente que vem se aperfeiçoando desde lá de trás. Coisas de família, coisas de Deus!
Cada um carrega nos genes uma purpurina divina que faz brilhar a alma, vão jogando serpentinas de sensibilidade trazidas de um emaranhado de fios...
Agora... O dom é uma explosão de confetes coloridos! É jogado no sangue e esse se manifesta como a festa de carnaval! Feliz daquele que manifesta seu dom, mesmo metralhado com confetes de naftalina fardada!
Feliz daquele Senhor Plínio Marcos que tocou na banda maldita, com maestria de um maravilhoso palhaço! Mesmo com o circo “queimado” continuou tocando.
Feliz daquele que tem no DNA o fio do artista, capaz de descrever seu sofrimento com bom humor e chegar à glória. Olhar pra trás e sentir que valeu a pena, que sua vida não foi em vão. Cada passo, cada surra, cada censura não calou sua voz. Mostrou a que veio. Lutar pela arte e a liberdade de expressá-la em qualquer segmento. Pelos trabalhadores, pelas flores, pelas cores no caminho de ir e vir.
Deixo aqui o manifesto de uma aprendiz:
- “Da água e da terra se faz o barro e a lama... Fez-se um vaso de perseverança”.
Para muitos com boca maldita, sem flores, mas, pra mim, tem a boca de um verdadeiro contador de histórias. Um jardim!


Elaine Barnes

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