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domingo, 24 de maio de 2009

Guadalupe


As mulheres que vem de ti, nascidas da tua vida...
As encontrei dentro de mim, fortes e escondidas.
Foi num dia escuro e tristonho, que as busquei no passado.
Perguntava-me entre lágrimas aonde as perdi? Responderam-me tantas mulheres!
“Não podes perder o que não houvera encontrado!”

Lá no mais profundo as busquei entre deusas e bruxas moradoras ocultas ancestrais.
“Guadalupe” me trouxe à razão do meu olhar tão indignado!
Vivi sonhos que não eram meus, arrastando correntes do passado.
Mulheres ingênuas e românticas respondiam com o olhar assustado,
pelas janelas entreabertas dos olhos manchados de lua.
Procuravam na neblina entre estes vidros embaçados... Um raio de sol apenas,
que mostrasse um pouco de amor, nem que fosse um facho no descampado.
Ainda tinham esperança e um suspiro de ternura, guardadas em gavetas almofadadas, como um colo macio e bem tratado.

As mulheres que vem de ti e de mim,
Entre deusas, bruxas e ancestrais...
Lá no mais profundo... Encontro cristais!
Em meio aos cacos de alguns quebrados,
Eis que surge um “solitário” límpido com brilho de água;
e seja lá o que for, não perdi. Encontrei.
E entre os cacos da minha dor...
Trouxe-me uma flor. Uma centelha que habita em mim vinda de ti,
na beleza de uma pétala vermelha!

Aonde quer que estejam “Abuela”, “Lupe” e tantas mulheres na neblina da minha vida...
Elas ainda me respondem “sempre-vivas” que a morte que habita em mim,
é um cristal que vive no tempo; renascendo no templo da sabedoria,
lapidando o sentimento de amor.

Elaine Barnes

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