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sábado, 30 de maio de 2009

O Dono dos Botões

A vida é mesmo engraçada. Parece um parque, onde nós somos os brinquedos!
Às vezes quebramos e ficamos em manutenção. Vem o medo.
Durante esse tempo, vemos tudo girando enquanto estamos quebrados. Ora fica tudo de cabeça pra baixo, ora somos derrubados.
Estatelamos no chão. Um susto! Mas a roda gigante não quebra. Continua girando.
Aos poucos nossas engrenagens vão pegando o ritmo, nossas peças novas vão se movendo... E retomamos na busca do prazer e da felicidade, concertados com nova chance.
Alguém maior, Dono da casa das máquinas e de todos os botões, controla tudo!
Nossa diversão nesse imenso parque depende de como O tratamos.
Há também os brinquedos mascarados. Estes vivem assim, na máscara, pois não se arriscam, apenas assistem e fingem participar. Estão sempre com seu sorriso de plástico intocável.
Às vezes o Dono da casa das máquinas se aborrece e os deixa cair. Ficam irados! A noite sempre vem... E o Dono dos botões acende as luzes para que todos se vejam. Os quebrados olham com esperança para os já concertados. De manhã ele as apaga para que o dia com sua luz própria ilumine o que ficou escondido sem concerto: As máscaras plastificadas e quebradas, amontoadas num canto do parque brigando entre si, enquanto os brinquedos reluzem trabalhando em conjunto com a roda gigante;
Aprendendo a brincar, aprendendo a sonhar, aprendendo a mudar, aprendendo a recomeçar, a ser humilde...Aprendendo a aprender.


Elaine Barnes (em manutenção)


domingo, 24 de maio de 2009

Vazio


A falta que me faz...
Tem a tristeza do olhar de quem não vê,
Tem a dor de um coração partido,
Tem a cor pálida da morte do amor.

A falta que me faz...
Tem a tristeza de um cão abandonado,
Tem a dor de um parto solitário,
Tem a cor do sangue sem cio.

A falta que me faz...
Tem a tristeza do incêndio na natureza,
Tem a dor de um aborto escondido,
Tem a cor de um caminho sombrio.

A falta que me faz... Dói demais!
Tem a cor do luto da partida,
Tem a dor do silencio na lágrima caída,
Tem o clamor dos meus “ais”!

Elaine Barnes

Guadalupe


As mulheres que vem de ti, nascidas da tua vida...
As encontrei dentro de mim, fortes e escondidas.
Foi num dia escuro e tristonho, que as busquei no passado.
Perguntava-me entre lágrimas aonde as perdi? Responderam-me tantas mulheres!
“Não podes perder o que não houvera encontrado!”

Lá no mais profundo as busquei entre deusas e bruxas moradoras ocultas ancestrais.
“Guadalupe” me trouxe à razão do meu olhar tão indignado!
Vivi sonhos que não eram meus, arrastando correntes do passado.
Mulheres ingênuas e românticas respondiam com o olhar assustado,
pelas janelas entreabertas dos olhos manchados de lua.
Procuravam na neblina entre estes vidros embaçados... Um raio de sol apenas,
que mostrasse um pouco de amor, nem que fosse um facho no descampado.
Ainda tinham esperança e um suspiro de ternura, guardadas em gavetas almofadadas, como um colo macio e bem tratado.

As mulheres que vem de ti e de mim,
Entre deusas, bruxas e ancestrais...
Lá no mais profundo... Encontro cristais!
Em meio aos cacos de alguns quebrados,
Eis que surge um “solitário” límpido com brilho de água;
e seja lá o que for, não perdi. Encontrei.
E entre os cacos da minha dor...
Trouxe-me uma flor. Uma centelha que habita em mim vinda de ti,
na beleza de uma pétala vermelha!

Aonde quer que estejam “Abuela”, “Lupe” e tantas mulheres na neblina da minha vida...
Elas ainda me respondem “sempre-vivas” que a morte que habita em mim,
é um cristal que vive no tempo; renascendo no templo da sabedoria,
lapidando o sentimento de amor.

Elaine Barnes