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domingo, 8 de fevereiro de 2009

Minha Cozinha Vazia




Minha barriga ta ôca.
Coloquei arroz no fogo,
Linguiça na frigideira,
Enquanto cozinho um ovo.

Reguei algumas plantas com água de saudades.
Lavei o quintal e arrisquei umas pinceladas,
Mas, o sol derrubava minhas águas retidas...
Molhava -me a testa como o arroz que borbulhava,
E os olhos com água salgada.

Coloquei música pra encher de gente a cozinha.
Cantei e dancei sozinha,
Pelos caquinhos limpos e encerados,
Enquanto fritava a linguiça.
O gato me olhava intrigado com sua preguiça;
E eu dançava com as borbulhas do arroz cozinhando...
Enquanto picava a solidão num prato de salada.

Tudo desligado sorri para meu cão no quintal.
Fiz meu prato e o acomodei na pia.
Cantei meu bem...Meu mal...
Tudo zen, tudo assim...
É, hoje minha cozinha está vazia...
Vazia de amigas, de filhas...Vazia de mim!


Elaine Barnes

Para Choque Amarrado = Rabo Preso


Num breve momento de inspiração,
Peguei o papel na gaveta.
Sem saber o que escrever segurei a caneta.
Lembrei de você preso em uma teia...
Teia de aranha negra.

Em nome da inteligência,
Julgou-se muito pra mim.
Deixou-se seduzir pela corpulência,
Que de castigo era muito pra você.
Ela te envolveu numa teia;
Prendeu-te com ares de seda.

Você virou aresta,
Brinquedo de infância,
Coisa sem importância,
Esgrimista de criança.

Logo virou carro velho,
De para choque amarrado,
Com o próprio vergalho.

Rabo preso ainda enche a barriga!
Casamento de bigorna com bigorrilha.
Bodas de bobina!
Rabo preso em teia de malha vermelha,
Com ares de bombom...
Recheado de bombilha,
Embrulhado em teia de aranha negra.

Hoje te vejo com gratidão.
Guardo você como lição,
Toda ação recebe uma reação.
Sentada em camarote simples
Assisto você amarrado em trono de rabo...
Cheio de riqueza intelectual e material, sem falo.
Tão pobre de amor, guardado...
Escondido num canto, na ilusão que ninguém vê,
Sua bunda descoberta.
Ensinou-me a não depender de ninguém,
E o seu desdém me deu maturidade,
Sigo livre pela estrada!
Obrigada...Obrigada!


Elaine Barnes( Com o rabo livre pra escolher o papel e a caneta)

sábado, 7 de fevereiro de 2009

Poema de Michelle- 1996


Danço ao som dos pardais,
Com emoção que faz de minh’alma...
A canção dos meus sarais.

Com a leveza das plumas,
Danço com as gaivotas,
Que encontram nas brumas...
A saliva dos beijos do mar.

Se o desabrochar da flor,
Alegra o pouso da libélula...
O bailar do beija-flor, traz amor,
Ao interior da minha janela.

Elaine Barnes (frase-O beija flor bailou pra mim), Inspirado no blog desenrolando os fios de Ariadne.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

O "Nada" é ilusão. Não Existe!


Hoje estou aqui pensando no nada.
Penso no guarda noturno que não paguei e...Nada.
Penso no cabelo que não cortei, nada.
Penso nos imóveis que não vendi, nada.

Penso nas férias que não tive, nada.
Penso nas noites que não dormi, nada.
Penso nas palavras e não falei, nada.
Penso nas paisagens e não vi, nada.

Hoje estou assim a pensar no nada
E assim descobri que o “nada” não existe.
É uma palavra que justifica a preguiça,
A covardia... A sabedoria do silêncio.
Às vezes o “nada” é triste. Outras...Conquista.
Existe também no verbo “nadar” no vazio.
Bem...Aí é outra coisa.
Já vi o “nada” até num susto!
De tão surpresa, eu não disse nada.

Bem, pra esvaziar a mente,
Fiquei pensando literalmente em "nada".
Então, é isso. Vontade de não fazer nada.
E isso é nenhuma coisa. De modo algum!
A não existência. Nada, pronome indefinido...
O pato também nada, o peixe...Ah, aí é verbo de novo!
Nada disso, Ninharia!
Pra ficar sem pensar nada, nem mesmo no ninho,
só dentro do ovo!

Elaine Barnes ( nada a declarar)

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

E as águas se encontram na pororoca da Ocaa


Mãe d’agua
Bolsa d’agua
Medo d’agua
Espelho d’agua
Água de parto
Água de charco
Água de cheiro
Água gelada
Água de côco
Água doce
Água boricada
Água de poço
Água da fonte
Água oxigenada
Água da ponte
Água da lágrima
Boca d’agua
Veio d’agua
Lençol d’agua
Olho d’agua
Água de enxurrada
Água do mar
Água do rio
Água parada
Água de beijo
Água marinha
Água de chuva
Água da vida
Água de cachoeira
Água da lagoa
Água de choradeira
Água da bolha
Água de oxum e Iemanjá
Água de Orixá
Água da pororoca
Água que batiza a Ocaa.
Homenagem a criadora deste blog Obrigada Marcia

Elaine Barnes ( Uma água só)

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Festa no Coração da Princesa Ynaeh










Hoje é festa lá na Ynaeh
Pode aparecer, vai rolar
Parabéns pra você.
Tem pão de metro recheado de patê
Presunto, queijo, alface e tomate...
Feito no capricho pela Fê.
Tem batatinha temperada
Com salsinha e cebola ralada
Que a Elaine fez com prazer.
Tem bolo de princesa
Que a Bete com destreza
Arriscou e acertou fazer.
A avó Célia trouxe brigadeiros,
Que na boca vão derreter.
Tem bexiga azul e branca,
Que as vizinhas vieram encher.
Tudo pronto pra receber você.

Opa, o pessoal ta chegando!
Lá vem a Michelle com sua beleza de fada!
Fernanda com sua beleza morena.
Elaine com a pálpebra inchada...
E o Lucas querendo a merenda.
A família da Bete chegando animada.
O pai da Ynaeh marcando presença...
Deixando a pequena sem mágoa.

Piura e Inês com a molecada,
Fazendo barulho na chegada,
Trouxeram a alegria de viver,
Nas histórias tão engraçadas!

Hoje é a festa da princesa Ynaeh
Hoje tem criançada?
Tem sim senhor!
E só posso agradecer
Ver felicidade da Cinderela
Na simplicidade de oferecer
O primeiro pedaço de bolo para o pai.
Como a ofertar um pedacinho...
Da sua própria natureza

Ver essa cena singela,
Que em seis anos de espera,
Por um mérito dela, realizava
O sonho de uma pequena princesa...
Em ter na mesma fotografia,
Pai , mãe e filha,
Sua rainha e seu rei.
Parabéns pra você !
Que esta data querida,
Não te deixe esquecer,
Que de todos os presentes,
O maior foi você quem deu,
Espalhou sementes de bem querer!
Elaine Barnes ( Só a pálpebra inchada, mas, enxergando pelos olhos da criança)


Barulhos da Minha Rua


Pequena e estreita, ela desce inclinada.
Minha rua é barulhenta, de silêncio não há nada!
O marceneiro serra, lixa, martela e a madeira entalha.
Os cães uivam, ladram, gemem, farejam por nada.
A música suave, aos poucos o volume vai aumentando.
A mãe chama o filho, dali a pouco sai berrando.
O carro que não pega, também berra: Acelera!
As crianças deixam os cadernos,
Escrevem no céu com letras cortantes,
Marcando território com pipas pequenas e gigantes;
Sua infância única no coletivo universo.
Os telhados rangem pisados e as telhas quebrando;
Sem poesia sem verso, o que se ouve é xingamento.
É o caos! Minha rua é pedrada, vidraça trincada e batucada!
É mistura de raça, alegria, briga e mão na massa.
É casca de banana na amarelinha sem calçada.
É o lugar que se reúne em festa, velório e casamento.
Mas, descansa sossegada quando a noite com a chuva se lava.
Minha rua então se deita inclinada pra enxurrada passar.
E assim distraída e cansada, me deixa ouvir enfim,
O silêncio da madrugada.

Elaine Barnes 10/11/1995