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sábado, 21 de dezembro de 2013

Pinta vai!

Pinta no seu muro a liberdade da areia.
Pinta na prisão do aquário, uma sereia.
Pinta pegadas no teu terreno baldio.
Pinta um amor no coração vazio.

Pinta o lodo do chão,
Com tinta anti-solidão.
Pinta voz na tua alma,
E a ouça com muita calma.

Pinta todas as tuas paredes,
E nos teus ganchos, uma rede.
Pinta ordem no teu rancho,
Pinta no cansaço um descanso.

Pinta sempre o que está feio.
Pinta espaço no que está cheio.
Pinta um regaço e deita no colo,
Pinta o caos de aconchego.

Pinta na tua mesa uma ceia,
Pinta um trono na tua cadeira.
Pinta um convite especial,
E pinta de Jesus teu Natal!

Pinta o velho, de novo.
Pinta um pintinho no ovo.
Pinta de pertinho o que está longe.
E Pinta de bem vindo 2014!

Elaine Barnes

Desejo a todos os que aqui passarem um Feliz Natal de Amor e uma pintura brilhante no Ano Novo, com as cores da Paz, Prosperidade, Alegria, Saúde e muita, mas, muita FELICIDADE!!!

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Calcinha de Vidro

Ela era uma na multidão feminina.
Há quem diga que a multidão era ela.
Conheci esta mulher perdida, vagando pelos trilhos...
Perdeu o trem, não viu a paisagem.
Na estação sem primavera... Nenhuma flor, nenhuma passagem.
Observei aquela mulher de estranha beleza,
Vi no seu rosto uma sutileza, porém o olhar era escuro, sem luz;
A boca entre aberta em lábios carmim e ancas volumosas; tão mortas!
Seu caminhar era pesado como se arrastasse o mundo.
Estendi-lhe a mão e pude sentir a frieza sem sangue.
Disse-me em tom baixo e casto, que fora vítima de engodo.
Sonhara em amar, desejar, se entregar ao prazer...Proibido.
Castrada no seu viver queria ser uma pedra preciosa, transparente...
Tornou-se uma luz guardada, como fosse a gema do ovo.
Num tom muito baixo, tanto quanto seu olhar, em transe, buscava um sentido.
Um apito ao longe gritava seu sofrer e lhe oferecia um vagão.
Um abrigo. Afastou-se de mim arrastando sua multidão infeliz e doente.
Rogava uma chance.
Eu soube que naquela estação ela vagava há anos vestida em "calcinha de vidro".
Só queria pegar o trem e seguir sua própria viagem, um mito!
A multidão de mulheres a perseguia e os homens fugiam.
Confusa, perdia o trem da liberdade e se encontrava só num trilho.
Seguia preciosa e transparente, vestida de vidro embaçado de falsa castidade.

Elaine Barnes
6/12/08